CASAS PRÉ-FABRICADAS & MODULARES: A sauna flutuante que estudantes noruegueses construíram em 14 dias
A origem da sauna remonta a milénios, nas terras geladas da região báltica, mais concretamente na Finlândia. As estruturas mais primitivas pouco tinham a ver com as cabanas actuais: eram fossas escavadas nas encostas, cobertas com peles de animais para reter o calor corporal e ambiental.
No centro do espaço, um amontoado de pedras aquecidas por fogo directo constituía o núcleo térmico indispensável. Ao lançar água sobre essas rochas incandescentes, o vapor gerado, chamado löyly, infundia vida e misticismo ao habitáculo. Este espaço primitivo cumpria funções vitais de higiene, cura, parto e espiritualidade, configurando um rito sagrado ancestral para a sobrevivência em climas hostis.
A evolução desta prática milenar transformou as fossas de terra em estruturas autónomas de troncos, mantendo intacta a essência do bem-estar termal. É uma tradição construtiva que continua a inspirar intervenções contemporâneas com a madeira como elemento protagonista.
Construída por estudantes
O atelier de arquitectura estudantil Rabagast Studio, integrado por alunos da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia de Trondheim, assinou o projeto Watercave. Esta estrutura flutuante de madeira assenta sobre um pequeno pontão, num lago de uma zona rural da Noruega.
A execução material do projecto decorreu num prazo de 14 dias, um feito técnico destinado à quinta ecológica Opaker Gård, na província de Innlandet. O propósito primordial da obra está em oferecer um espaço de reunião, interação e coesão para a comunidade local e para quem visita a região.
A execução material do projecto decorreu num prazo de 14 dias, um feito técnico destinado à quinta ecológica Opaker Gård, na província de Innlandet. O propósito primordial da obra está em oferecer um espaço de reunião, interacção e coesão para a comunidade local e para quem visita a região.
A partir da plataforma já existente, os autores procuraram gerar uma atmosfera íntima e cerimonial. O interior é revestido a madeira escura e carbonizada, cuja aparência evoca a fisionomia de uma gruta escavada na rocha, isolando o espírito das distracções mundanas.
A localização do edifício sobre uma balsa flutuante deu à equipa uma liberdade criativa invulgar. As referências estéticas vieram das florestas densas e das colinas em volta, elementos que motivaram a configuração de uma forma orientada para dentro.
O conceito arquitectónico persegue uma redução sensorial intencional. Quem usa a sauna conserva a opção de contemplar a paisagem exterior, mas a sequência de espaços privilegia a concentração num ritual interno simples. É a introspeção que predomina nesta volumetria, que convida ao recolhimento mental e corporal.
Desafios náuticos e tectónicos da paisagem nórdica
O revestimento exterior expõe a madeira em três das quatro faces, cobertas por tábuas horizontais de abeto. A quarta fachada exibe pequenas telhas de madeira feitas com excedentes de painéis de construção.
Junto à chaminé do fogão a lenha, uma ampla janela abre vistas directas para o lago. No extremo oposto, uma zona coberta funciona como armazém para a lenha e integra um banco fixo de madeira, pensado para uma pausa antes do banho frio.
A estabilidade sobre a plataforma flutuante exigiu soluções de engenharia rigorosas. A sauna foi implantada de forma inclinada sobre o pontão, uma assimetria que se repercute nos beirais angulares da cobertura e serve para equilibrar o peso geral da construção.
A cobertura utiliza policarbonato branco ondulado e tem uma pendente pronunciada, calculada para tolerar períodos de neve intensa e evitar sobrecargas estruturais. O tom esbranquiçado ajuda na integração visual com o cenário invernal norueguês durante os meses mais frios.
Durante o planeamento, os autores deram prioridade ao equilíbrio, comparando o seu trabalho à construção de embarcações tradicionais. É uma abordagem que coloca o projecto em paralelo com propostas urbanas já consolidadas, com a mesma finalidade: oferecer descanso, recolhimento e sossego a residentes e viajantes.
E em Portugal?
O ritual nórdico do calor seguido de água fria não tem uma tradição tão enraizada em Portugal, mas o banho termal tem, e de longa data, com estâncias como São Pedro do Sul ou Chaves a sustentarem esse hábito. O que mudou nos últimos anos foi a chegada da sauna ao interior da casa: o mercado residencial português já integra saunas privadas no segmento alto, e há casas novas com spa a partir de 185 mil euros.
Em obras de remodelação, um mini-spa com sauna compacta parte dos 30.000 euros, enquanto um conjunto completo com piscina interior e hammam pode chegar aos 200.000 euros.
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